Lucio Falleiros

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BONS TEMPOS AQUELE DA FAZENDA BARRINHA.

Escrito por Luzia de Oliveira Falleiros Malheiro.
Barrinha. Por que esse nome?
Porque se assemelhava a uma nesga do paraíso ali plantada!?
Quanta saudade !
Eu ficava ansiosa à espera da chegada do mês de janeiro para lá passar as férias e usufruir a felicidade que nela se encontrava!
Tio Aristides era o dono da fazenda, figura imponente, comandava com sabedoria a família, propriedade e  criação de carneiros que nos deslumbrava.   Ao lado dele a figura cheia de doçura, a tia Maricas, para outros tia Mariquinhas, mas para todos a que sabia acolher com carinho os oito filhos e os parentes que lá aportavam, como mamãe, Lùcio e eu.  Corria de um lado para outro com seu aventalão, fiscalizando tudo e “pilotando”o fogão de lenha onde saíam deliciosos quitutes de encher “ a boca de água”..
Tudo tão simples e tão maravilhoso!
À entrada da fazenda havia uma grande árvore para mim misteriosa, pois Nezinha, minha querida prima , contou ter caído em seu tronco uma “ mãe de ouro” e deveria então, ali existir uma riqueza enterrada!  A desilusão veio mais tarde quando, com meus estudos, fiquei sabendo que a tal “ mãe de ouro” nada mais era que um simples aerólito.  Chegava o dia que tio Aristides marcava para fazer pamonha.  Era uma glória!
Os empregados traziam jacás de milho verde e nós não só ajudávamos como tumltuáva-
mos..
Nenhuma reprimenda, só recebíamos aprovações e carinho.
Um dia tudo acabou, tio Aristides vendeu a querida Barrinha e acabaram-se os nossos folguedos.
Restou a alegria de nossa amizade. A feliz convivência continuou quando mudaram para São Joaquim, e atualmente, mesmo distantes ainda perdura.
Retornei à Barrinha em 2002.
Nada restou da magia de antigamente, novos donos, nova visão. Encontrei uma nova sede com ares de modernidade.  A antiga foi transformada em celeiro.
De repente ouvi o som da cachoeira e, ao visitar o pomar, voltei aos bons tempos.
Que surpresa! O som da água caindo conduzida pelo mesmo dínamo dos velhos tempos, construído pelo primo Arnaldo com seus 14 anos.  Lá estava ele, após mais de setenta anos , como um elo invisível entre os sonhos de ontem e as realidades de hoje.

 

Sede da  Fazenda Barrinha

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